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Nesta quinta-feira (28), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou que a investigação sobre supostas irregularidades de aproximadamente R$ 80 milhões na aquisição de materiais didáticos pela Secretaria Municipal de Educação foi aberta há cerca de três meses e só veio a público após ganhar “robustez”.
As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa, enquanto o então secretário de Educação, Amauri Monge, prestava esclarecimentos na Câmara Municipal a pedido do vereador Ilde Taques.
Segundo Abilio, o procedimento investigatório foi instaurado no dia 28 de janeiro de 2026, logo após as primeiras informações chegarem ao conhecimento da gestão.
“Eu pedi a investigação no dia 28 de janeiro de 2026. Assim que soube, eu pedi para fazer a investigação. O vídeo que eu divulguei ontem foi apenas um vídeo após 90 dias da investigação já ter sido aberta”, explicou o prefeito.
O gestor afirmou que decidiu tornar o caso público somente após o avanço das apurações internas.
“A investigação avançou muito e me passou algumas informações que me assustaram. Então, essas informações eu decidi tornar públicas porque a gente já está investigando isso há 90 dias. Não é uma coisa que a gente escondeu ou vai passar por baixo do tapete”, declarou.
Durante a coletiva, Abilio evitou responsabilizar diretamente Amauri Monge e ressaltou que o ex-secretário tinha autonomia para conduzir a pasta.
“Eu não tenho, por exemplo, como ficar sabendo antes o que o secretário vai fazer. Eu vou saber depois que ele executa, na prestação de conta, no relatório. O secretário é executor de despesas no município”, afirmou.
O prefeito também destacou que a investigação busca identificar quem participou das decisões relacionadas à compra dos materiais.
“A gente vai apurar quem foi que fez as decisões, quem foi que tomou as decisões e, identificando as irregularidades, vamos buscar a devida correção”, disse.
Ao comentar a defesa feita por Amauri na Câmara, Abilio afirmou que o posicionamento é legítimo.
“Se ele acha que a acusação é contra ele, ele vai lá e se posiciona. A gente está levantando a situação de dois livros”, pontuou.
Durante os esclarecimentos no Legislativo, Amauri Monge também citou uma suposta pedalada fiscal de R$ 100 milhões da atual gestão municipal.
O prefeito ainda explicou que os órgãos responsáveis pelas licitações verificam a legalidade dos processos, mas não avaliam o mérito pedagógico das compras realizadas pelas secretarias.
“O setor de licitação vai ver a legalidade do trâmite. A procuradoria vai ver se está dentro da legalidade. Agora, a prioridade do que comprar é da secretaria”, comentou.
Sobre as suspeitas envolvendo os materiais didáticos, Abilio voltou a mencionar possível utilização de conteúdos produzidos por inteligência artificial, hipótese negada pelo ex-secretário.
“A legislação brasileira diz que é legal comprar livro por inexigibilidade quando se trata de autor exclusivo. Só que o autor específico de alguns casos que a gente identificou é a inteligência artificial”, afirmou.
Apesar das suspeitas, o prefeito ressaltou que não pretende antecipar julgamentos antes da conclusão das investigações.
“Eu não vou dar nome de ninguém nesse momento. Se eu fizer isso e a conclusão não apontar aquilo que a gente está suspeitando, a pessoa pode entrar com ação dizendo que foi acusada erroneamente”, ponderou.
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