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Alunos de MT avançam em competição nacional com projeto de óculos inteligentes

Com informações da Assessoria – CDN

Nesta segunda-feira (05), estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Campus Avançado Lucas do Rio Verde, foram anunciados entre as 30 equipes semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026, programa da Samsung voltado à criação de soluções tecnológicas para problemas reais da sociedade.

O grupo é formado por quatro estudantes do 2º ano do Ensino Médio, que desenvolveram o projeto “Óculos com Inteligência Artificial para Acessibilidade de Deficientes Visuais”. A proposta é criar um dispositivo de baixo custo capaz de utilizar visão computacional e inteligência artificial para auxiliar pessoas com deficiência visual em atividades do cotidiano.

A tecnologia em desenvolvimento poderá contribuir em tarefas como leitura de textos, identificação de objetos e reconhecimento de obstáculos, transformando as informações captadas pelo equipamento em orientações sonoras.

A iniciativa começou a partir de uma experiência da estudante Bruna Stoinski, que tem uma pessoa com baixa visão na família. Ao acompanhar as dificuldades enfrentadas no dia a dia, ela passou a buscar uma alternativa tecnológica que pudesse oferecer mais autonomia e acessibilidade.

O protótipo reúne uma câmera, um mini computador com conectividade, alto-falante e fones de ouvido. A ideia é que as imagens sejam processadas pelo sistema e que os dados identificados sejam transmitidos ao usuário por meio de áudio, sem a necessidade de uma tela.

Os estudantes também pesquisam diferentes aplicações da visão computacional, incluindo reconhecimento de palavras, textos, objetos e obstáculos. A equipe explica que pretende reunir tecnologias já existentes e adaptá-las em um equipamento voltado especificamente às necessidades de pessoas com deficiência visual.

“Nós pesquisamos outros óculos e percebemos que alguns recursos eram voltados para descrever ambientes ou materiais, mas não eram específicos para pessoas com deficiência visual. Estamos juntando tecnologias que já existem e aprimorando todas elas em uma única solução”, conta Junior Eduardo, integrante do grupo.

Antes de concluir o protótipo, os alunos também decidiram ouvir diretamente o público que pretende utilizar a tecnologia. Para isso, elaboraram um formulário destinado a pessoas com deficiência visual e buscam contato com escolas e profissionais que trabalham com esse público.

A intenção é utilizar as respostas para aperfeiçoar o equipamento e, posteriormente, realizar testes com os usuários.

“Quando tivermos o primeiro protótipo, nossa ideia é conversar com essas pessoas e usar os feedbacks e as ideias delas para desenvolver melhorias nos óculos. Nosso alicerce para produzir esse projeto se resume a ‘nada é sobre nós sem nós’: não podemos fazer esses óculos sem que as pessoas que precisam deles estejam incluídas nesse processo”, afirma Bruna.

Para Helvio Kanamaru, diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, a iniciativa demonstra como experiências pessoais podem servir de ponto de partida para pesquisas e soluções tecnológicas voltadas à inclusão.

A diretora-executiva do Cenpec, Beatriz Cortese, também destacou o envolvimento dos estudantes na pesquisa e no desenvolvimento da proposta, especialmente pela busca de participação das pessoas diretamente impactadas pela tecnologia.

Além do desenvolvimento do equipamento, o projeto vem proporcionando aos alunos contato com pesquisa, inteligência artificial, visão computacional, modelagem e impressão 3D. De acordo com o professor e orientador Vigner Vieira dos Santos, o trabalho também contribuiu para desenvolver habilidades como criatividade, organização, responsabilidade, disciplina e cumprimento de prazos.

A estudante Ester Carla Sobral afirma que a participação no programa ampliou a capacidade da equipe de observar problemas cotidianos e pensar em soluções.

“Vivenciamos muitas situações no dia a dia que não recebem a devida atenção. O Solve traz essa possibilidade de pensar em como resolver esses problemas. Também temos visto outros projetos do programa que são incríveis e muito interessantes de acompanhar”, conta.

O professor Vigner também afirma que a experiência ampliou sua própria percepção sobre acessibilidade e espera que o projeto possa contribuir para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência visual.

Semifinalistas do Solve for Tomorrow

O Solve for Tomorrow Brasil é um programa de Cidadania Corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio da rede pública a desenvolverem soluções para desafios identificados em suas comunidades, utilizando conhecimentos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

A edição de 2026 reúne 30 equipes semifinalistas, que avançam na disputa nacional. O programa utiliza ainda a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL) e oferece mentorias e capacitações aos participantes.

Segundo dados divulgados pela organização, a edição deste ano registrou crescimento de 7,7% no número de projetos inscritos em relação a 2025. Também houve aumento de 11% na participação de estudantes mulheres e de 3% no número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais.

O calendário prevê o anúncio dos 10 finalistas em 16 de outubro, seguido pelo período de mentorias entre 19 de outubro e 27 de novembro. A votação do Júri Popular será aberta em 23 de novembro, enquanto os vencedores por categoria serão anunciados em 8 de dezembro.

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