Nesta quarta-feira (14), a Polícia Civil deflagrou a segunda fase da Operação Tapeçaria do Crime para combater um esquema de fraudes contra consumidores que contratavam serviços de reforma e restauração de móveis em Cuiabá. A ação resultou no cumprimento de quatro ordens judiciais de prisão contra dois homens, de 45 e 27 anos, investigados por aplicar os golpes.
Coordenada pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), a operação cumpriu mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Um dos investigados já estava preso desde a primeira fase da operação, realizada em abril de 2026, quando foi detido por suspeita de envolvimento em fraudes semelhantes.
As apurações, conduzidas em dois inquéritos policiais, identificaram pelo menos 21 vítimas diretas, além de dezenas de registros de ocorrências com relatos do mesmo tipo de golpe.
Promessas de preços baixos e entrega rápida
Segundo a investigação, os suspeitos atraíam clientes por meio de anúncios nas redes sociais que ofereciam reformas de sofás, poltronas e cadeiras por valores abaixo dos praticados no mercado e com prazos curtos de entrega.
Depois do primeiro contato, eles iam até as casas dos consumidores, recolhiam os móveis e cobravam antecipadamente pelos serviços, por meio de PIX ou cartão de crédito. No entanto, as reformas não eram realizadas e, em muitos casos, os estofados sequer eram devolvidos aos proprietários.
Quando as vítimas tentavam cobrar uma solução, os investigados apresentavam justificativas relacionadas a problemas operacionais ou à falta de materiais. Posteriormente, interrompiam a comunicação e bloqueavam os clientes.
Vítimas tiveram prejuízos e ficaram sem os móveis
A investigação apontou prejuízos financeiros e transtornos pessoais para os consumidores. Algumas vítimas chegaram a encontrar os próprios móveis abandonados, desmontados e deteriorados em galpões utilizados pelos suspeitos.
Em determinadas situações, os clientes precisaram comprar novos estofados para suas casas enquanto continuavam pagando as parcelas dos serviços contratados e não entregues.
De acordo com a Polícia Civil, idosos e famílias de baixa renda estavam entre os principais prejudicados, comprometendo parte significativa do orçamento com as falsas reformas.
Para dificultar a fiscalização e evitar a localização pela polícia, os investigados também mudavam frequentemente as razões sociais das empresas, os endereços e divulgavam informações falsas sobre sua localização nas redes sociais.
Justiça proíbe investigados de atuar no ramo
Diante da reincidência apontada nas investigações e do número de pessoas prejudicadas, a Justiça acolheu os pedidos da Decon e decretou as prisões preventivas. A decisão também proibiu os dois investigados de exercer qualquer atividade econômica relacionada à tapeçaria, incluindo fabricação, reforma, restauração e comercialização de estofados, tanto diretamente quanto por meio de terceiros.
Os suspeitos poderão responder por estelionato qualificado, crime cuja pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa. A Polícia Civil continua apurando o caso para calcular o prejuízo total e identificar possíveis novas vítimas.
A primeira fase da Operação Tapeçaria do Crime foi realizada em abril de 2026 e terminou com a prisão de dois suspeitos. Na ocasião, os investigadores da Decon também destacaram o descaso dos envolvidos em relação aos consumidores prejudicados.
Como denunciar
Quem acredita ter sido vítima do esquema pode procurar a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, na Rua General Otávio Neves, nº 69, bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá.
As denúncias também podem ser encaminhadas pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 197. Outra opção é registrar boletim de ocorrência em qualquer delegacia da Polícia Civil ou pela Delegacia Digital.
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