×

Família autoriza doação de órgãos após morte de paciente em Cuiabá

Nesta quarta-feira (2), o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) realizou a captação de múltiplos órgãos e tecidos de um paciente de 51 anos, que morreu após sofrer traumatismo craniano provocado por uma queda de aproximadamente 1,5 metro.

Antes do início do procedimento, as equipes do hospital realizaram o tradicional corredor da honra, também conhecido como corredor de aplausos. A homenagem foi marcada por emoção, respeito e gratidão ao doador e aos familiares, que, mesmo diante da perda, autorizaram a doação.

A captação começou às 10h50 e envolveu mais de 50 profissionais, entre trabalhadores do próprio HMC e especialistas que viajaram de Campo Grande (MS) para participar da operação.

Durante o procedimento, foram captados um fígado, dois rins e as córneas. O fígado foi destinado a Mato Grosso do Sul. O rim direito será encaminhado ao Rio Grande do Sul, enquanto o rim esquerdo seguirá para Pernambuco. Já as córneas permanecerão em Mato Grosso para implante local.

A doação poderá beneficiar diretamente quatro pessoas que aguardam por transplantes de órgãos, além de contribuir para o atendimento de pacientes que necessitam de transplante de córnea.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou a generosidade da família diante de um momento de profunda dor.

“É uma perda irreversível para a família, mas, ao mesmo tempo, uma oportunidade de ajudar outras vidas. A nossa gratidão a esses familiares é imensa. Neste Setembro Verde, precisamos reforçar a importância de conversar sobre a doação de órgãos dentro de casa, com nossos parentes, para que, se uma tragédia vier a acontecer, essa possibilidade seja analisada com carinho e sensibilidade. Existe uma longa fila de pessoas esperando por um transplante, e hoje essa família está ajudando a mudar a história de outras pessoas.”

A captação ocorre durante o Setembro Verde, período dedicado ao fortalecimento das campanhas de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. A iniciativa busca incentivar o diálogo entre familiares e mostrar que uma decisão tomada em um momento de perda pode representar uma nova oportunidade para outras pessoas.

A diretora-geral de Saúde Pública, Kelluby Oliveira, ressaltou a mobilização das equipes e o significado da homenagem realizada antes da captação.

“Hoje mais de 50 profissionais se mobilizaram para que essa doação pudesse acontecer. O corredor da honra é um momento de respeito, gratidão e reconhecimento. É a nossa forma de homenagear esse paciente e, principalmente, essa família, que, em meio à dor, possibilitou que outras pessoas tivessem uma nova chance.”

O médico Eduardo Andraus, responsável técnico do HMC, explicou que a retirada dos órgãos ocorre somente depois da confirmação da morte encefálica, seguindo protocolos médicos rigorosos.

“A morte encefálica é uma condição irreversível, diagnosticada por protocolos muito rígidos que comprovam que o cérebro deixou de funcionar. Mesmo que o coração continue batendo por um período, a pessoa já faleceu. A confirmação é feita de maneira criteriosa e segura, permitindo que, quando a família autoriza a doação, os órgãos sejam preservados e encaminhados para pacientes que aguardam por um transplante.”

No Brasil, a autorização dos familiares é indispensável para a doação de órgãos de um potencial doador falecido. Por isso, as autoridades de saúde reforçam a importância de conversar previamente com os familiares e manifestar o desejo de ser doador.

Compartilhe!

Compartilhe nas redes sociais

Publicar comentário