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Ovos do mosquito da dengue podem resistir por até 450 dias

Nesta segunda-feira (19), a Prefeitura de Cuiabá reforçou o alerta para a prevenção da dengue, zika e chikungunya com a chegada do período chuvoso. Os ovos do mosquito Aedes aegypti podem permanecer viáveis por até 450 dias em condições favoráveis, mesmo sem água, e eclodir quando voltam a entrar em contato com a umidade.

O início das chuvas, especialmente em outubro e novembro, exige atenção redobrada dos moradores. A combinação de calor e água acumulada favorece o nascimento de novos mosquitos a partir de ovos depositados anteriormente em recipientes que permaneceram secos por meses.

Por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a administração orienta a população a intensificar a vistoria de quintais e áreas externas desde já, sem esperar o aumento dos casos para eliminar possíveis criadouros.

Ovos resistentes e pequenos recipientes favorecem a proliferação

A retirada da água parada é uma medida essencial, mas pode não ser suficiente. Os ovos ficam grudados nas paredes de recipientes e podem continuar viáveis mesmo depois que a água seca. Por isso, além de esvaziar os objetos, é importante lavar e esfregar suas superfícies.

Tampinhas, pratos de plantas, garrafas, embalagens, vasos e outros itens capazes de acumular água podem servir de criadouros. A recomendação é verificar esses locais pelo menos uma vez por semana, além de manter caixas-d’água fechadas e limpar calhas.

O mosquito tem hábitos predominantemente diurnos, com maior atividade geralmente no início da manhã e no fim da tarde. Isso não impede que ocorram picadas em outros horários. O uso de repelente e outras formas de proteção individual também são recomendados.

Febre que desaparece não significa necessariamente melhora

A dengue pode apresentar sinais de agravamento justamente quando a febre diminui. Os sintomas de alerta costumam surgir entre o terceiro e o sétimo dia da doença. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou desmaio exigem atendimento médico imediato. Dificuldade para respirar também é motivo para procurar assistência sem demora.

Existem quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Ter contraído a doença anteriormente não garante proteção contra os demais tipos, e uma nova infecção pode elevar o risco de desenvolver formas graves.

Dengue, zika e chikungunya são transmitidas pelo Aedes aegypti e podem provocar sintomas semelhantes, como febre e dores no corpo. Na chikungunya, as dores nas articulações podem ser intensas e persistir por meses. A avaliação de um profissional de saúde é importante para diferenciar as doenças e orientar o tratamento.

A Secretaria Municipal de Saúde também alerta para os riscos da automedicação. Medicamentos como AAS, ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno devem ser evitados em caso de suspeita de dengue, devido ao risco de sangramentos. A orientação é procurar atendimento e seguir as recomendações médicas.

Outro cuidado envolve os exames: um resultado negativo nem sempre descarta a infecção. A capacidade de detecção varia conforme o teste utilizado e o estágio da doença. Exames como PCR e antígeno NS1 são empregados principalmente na fase inicial, enquanto os testes de anticorpos podem ser mais úteis posteriormente. Os resultados devem ser avaliados em conjunto com os sintomas e o tempo de evolução do quadro.

Cuiabá contabiliza 853 casos de dengue e três mortes em 2026

Conforme o boletim epidemiológico atualizado em 8 de outubro de 2026, a capital mato-grossense registrou 853 casos autóctones de dengue e três óbitos confirmados neste ano. Na 39ª Semana Epidemiológica, foram contabilizados seis novos casos, além da inclusão de 35 ocorrências referentes a semanas anteriores.

O total acumulado está próximo do observado no mesmo período de 2025, com diferença inferior a 1%. A média registrada é de 50,7 casos por semana.

Em relação à chikungunya, não houve novas notificações nas quatro semanas anteriores à atualização do boletim. Os registros acumulados em 2026 correspondem a 1,3% do total contabilizado em 2025, ano considerado epidêmico para a doença.

A zika também não apresentou novos casos na 39ª Semana Epidemiológica. Até a atualização do levantamento, Cuiabá não havia registrado mortes pela doença em 2026.

As equipes de vigilância e controle vetorial vistoriaram 885.360 imóveis na capital. Desse total, 94.224 receberam tratamento. Os agentes também trataram 106.065 depósitos e eliminaram 26.365 recipientes ou locais com potencial para acumular água.

Quem está com dengue também precisa se proteger contra picadas

Pessoas infectadas também devem adotar medidas para evitar a aproximação do mosquito. Durante o período em que o vírus circula no sangue, o Aedes aegypti pode picar o paciente, adquirir o vírus e transmiti-lo a outras pessoas.

Por isso, o uso de repelente por quem está com dengue ajuda a reduzir o risco de transmissão, assim como o uso de telas e mosquiteiros. A proteção individual deve ser combinada com a eliminação dos criadouros em residências e áreas próximas.

Em Cuiabá, moradores com suspeita da doença podem procurar uma das 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) para avaliação. Diante de sinais de agravamento, a orientação é buscar atendimento imediato em uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o combate ao mosquito depende da participação de todos. Manter caixas-d’água tampadas, limpar calhas, lavar e esfregar recipientes, descartar corretamente materiais que acumulam água e vistoriar os quintais semanalmente são medidas fundamentais para reduzir a proliferação do vetor no período chuvoso.

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