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Nesta quinta-feira (18), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal.
Além do parlamentar, a operação também tem como alvo o banqueiro Augusto Ferreira Lima. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso.
Na decisão, o magistrado destaca que Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central de vantagens econômicas investigadas, sendo citado como agente público que teria sido favorecido por pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais sob análise dos investigadores.
O documento, com cerca de 30 páginas, reúne informações obtidas pela PF, incluindo mensagens, ligações telefônicas, viagens e outros elementos considerados relevantes para o avanço das apurações. A decisão ressalta, entretanto, que as conclusões apresentadas ainda fazem parte da fase investigativa e não representam julgamento definitivo sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
Entre os pontos mencionados pela Polícia Federal está uma troca de mensagens atribuída ao senador, ocorrida em maio de 2025, relacionada à obtenção de dados necessários para emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) referente a um imóvel. Segundo os investigadores, a situação reforçaria a hipótese de que a propriedade estaria formalmente registrada em nome de terceiros, em uma suposta estrutura para ocultação da titularidade real.
Outro aspecto destacado na investigação envolve a atuação parlamentar de Jaques Wagner em discussões relacionadas ao crédito consignado, especialmente durante a tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022, posteriormente convertida na Lei nº 14.431/2022. De acordo com a representação policial, há elementos que apontam uma correlação temporal entre essa atuação e contratos firmados entre o Banco Master e empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.
Vídeo:
Medidas cautelares
Ao determinar as medidas cautelares, o ministro André Mendonça estabeleceu que o senador deverá cumprir uma série de restrições enquanto as investigações prosseguem.
Entre elas está a proibição de manter contato, por qualquer meio, direto ou indireto, com os demais investigados, exceto dois familiares citados na decisão, sendo vedadas conversas sobre os fatos investigados.
O parlamentar também ficou impedido de se comunicar com gerentes, administradores, corretores, engenheiros, arquitetos e demais colaboradores ligados à comercialização, negociação ou reformas da unidade nº 1.702 do empreendimento Poème Horto, objeto de análise no inquérito.
Outra medida determina que Jaques Wagner não poderá exercer, direta ou indiretamente, atividades de gestão, administração, representação, consultoria, contratação, intermediação ou negociação envolvendo empresas relacionadas aos fatos investigados, incluindo a BN Financeira Ltda., BN Representações Tecnológicas Ltda., Epítome S.A., PKL One Participações S.A. e GF4.15 Participações e Consultoria Ltda., salvo mediante autorização judicial específica.
A investigação segue em andamento e deverá avançar a partir da análise do material apreendido e das diligências autorizadas pelo STF.
Veja a decisão na íntegra:
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