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MT articula parceria com a Itália para ampliar exportações e atrair investimentos europeus

Nesta terça-feira (27), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT) discutiu medidas para ampliar a presença dos produtos mato-grossenses no mercado europeu e atrair investimentos da Itália. A estratégia prevê preparar empresas para atender às exigências comerciais e sanitárias da União Europeia, além de fortalecer a formação técnica e a cooperação com instituições italianas.

O tema foi debatido em reunião com a Câmara de Comércio Italiana em Cuiabá (Italcam), representantes da Assembleia Legislativa e integrantes da unidade setorial da Procuradoria-Geral do Estado que atua junto à Sedec.

A Itália já representa um parceiro comercial relevante para Mato Grosso. Em 2025, as exportações estaduais destinadas ao país ultrapassaram US$ 360 milhões, com destaque para soja, carne bovina congelada e milho. No comércio exterior em geral, o Estado acumulou US$ 26,5 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, alta de 16,9% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.

O mercado europeu também chama a atenção pelo valor pago pela carne bovina mato-grossense. Dados do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) apontam que, em fevereiro de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.082,14 por tonelada do produto exportado pelo Estado, valor superior ao registrado em mercados tradicionais, como a China.

Para o procurador do Estado Diego Marques Santana Miyoshi, que representou a Sedec no encontro, o Acordo Mercosul–União Europeia pode abrir oportunidades, mas exige preparação das empresas e atuação coordenada do poder público. Entre os requisitos para acessar o mercado estão sanidade, rastreabilidade, comprovação de origem, certificações, regularidade ambiental e documentação adequada.

“A redução tarifária não produz, por si só, acesso automático ao mercado europeu. A preferência comercial depende, portanto, de capacidade institucional e empresarial para comprovar origem, sanidade, rastreabilidade, regularidade ambiental, certificação e conformidade documental”, afirma Miyoshi.

Como parte desse planejamento, está em discussão a criação de uma comissão estadual permanente para identificar as exigências de cada cadeia produtiva e coordenar medidas destinadas a superar barreiras às exportações. A proposta prevê atenção inicial aos produtos de origem animal.

Outra iniciativa em análise é o Projeto Eumerc, que prevê cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e as universidades italianas Roma Tre e Siena. A proposta inclui estudos, cursos e seminários para auxiliar empresas e instituições a compreender e aplicar as regras previstas no acordo comercial.

Além de ampliar as vendas ao exterior, a articulação busca estimular o processamento da produção dentro de Mato Grosso. Segundo Miyoshi, há oportunidades para investimentos italianos em agroindústria, bioenergia, máquinas, equipamentos e alimentos processados, setores que podem contribuir para agregar valor às matérias-primas produzidas no Estado.

“O Estado pode atrair capital, tecnologia e empresas italianas para verticalizar cadeias produtivas em Mato Grosso”, destaca o procurador.

O delegado da Italcam em Mato Grosso, André Schelini, também defende o fortalecimento da cooperação entre os dois territórios. Segundo ele, a entidade pretende aproximar governos, universidades e empresas para preparar o setor produtivo, ampliar o intercâmbio de conhecimento e identificar novas oportunidades comerciais.

“Nosso desafio não é apenas ampliar o acesso de Mato Grosso ao mercado europeu, mas construir as condições para que o Estado participe dessa nova dinâmica econômica com mais valor agregado, inovação, sustentabilidade e protagonismo internacional”, afirma Schelini.

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