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Projeto leva alunos da zona rural de Poconé para primeira visita a museu em Cuiabá

Projeto leva alunos da zona rural de Poconé para primeira visita a museu em Cuiabá

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Nesta quinta-feira, 30 estudantes da Escola Antônio Maria de Almeida, localizada no assentamento Santa Filomena, a cerca de 120 quilômetros de Poconé, participaram pela primeira vez de uma visita ao Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, em Cuiabá. A atividade integra o projeto Caminhos da Cultura, iniciativa voltada ao acesso de estudantes da zona rural aos espaços históricos e culturais da capital mato-grossense.

Durante a visita, as crianças exploraram exposições com fotografias antigas, pinturas e obras de temática livre. Muitas delas nunca haviam entrado em um museu. Algumas imagens despertaram identificação imediata com o cotidiano vivido pelos alunos no Pantanal e em comunidades rurais.

O estudante Nathan Kelvin Ferreira do Prado, de 9 anos, destacou a pintura que retrata o Pantanal como uma das obras que mais chamaram sua atenção. Segundo ele, a imagem lembrou a região onde vive e trouxe um sentimento de alegria ao reconhecer elementos familiares no quadro.

Já a estudante Jennifer Victória Rodrigues Almeida, de 10 anos, contou ter se surpreendido com o acervo. Entre as obras preferidas, ela citou a pintura de um cavalo e o quadro de uma igreja. A aluna afirmou ainda que não imaginava como Cuiabá era antigamente e disse que pretende retornar ao museu com a família.

A diretora da escola, Benedita Rosa da Costa, quilombola da comunidade Campo Alegre de Pinhão, explicou que a iniciativa faz parte de um trabalho pedagógico voltado ao fortalecimento da identidade cultural e da ancestralidade dos estudantes. Atualmente, a unidade atende 167 alunos de comunidades quilombolas, fazendas e sítios da região de Poconé, sendo que algumas crianças percorrem até 50 quilômetros diariamente para chegar à escola.

Segundo Benedita, o objetivo da viagem é aproximar os estudantes da história e do patrimônio cultural de Mato Grosso, complementando em campo conteúdos trabalhados em sala de aula relacionados ao desenvolvimento político, social e econômico do estado. O roteiro também incluiu visitas à Praça do Candeeiro, ao Museu do Rio e ao Aquário Municipal, localizados no Complexo Biocultural do Porto.

A professora Edinalva da Silva Oliveira Arruda ressaltou que o projeto representa uma oportunidade importante para estudantes de regiões afastadas terem contato com a cultura e a história da capital. Ela explicou que a visita foi possível graças à parceria com a Coordenação de Cultura, responsável pelo projeto Caminhos da Cultura, que disponibilizou o transporte para os alunos.

A turismóloga do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Thaís Nishimura, destacou a importância de aproximar crianças e jovens dos museus, especialmente estudantes do interior que ainda não tiveram acesso a esses espaços culturais. Segundo ela, as exposições ajudam os visitantes a enxergarem elementos do próprio cotidiano sob novas perspectivas artísticas.

Thaís informou ainda que o museu recebe frequentemente escolas por meio do projeto Caminhos da Cultura. Apenas na última semana, cerca de 300 estudantes passaram pelo local, além dos visitantes espontâneos. O espaço funciona diariamente, das 8h às 17h, sem intervalo para almoço, e recebe agendamentos de instituições de ensino de Cuiabá e do interior.

A visita ocorreu poucos dias após a Semana Nacional de Museus, realizada entre 18 e 24 de maio, com o tema “Museus Unindo um Mundo Dividido”. Em Cuiabá, os espaços culturais administrados pela prefeitura vêm ampliando ações de acesso à cultura, educação patrimonial e valorização da memória regional.

Criado em 2019, o projeto Caminhos da Cultura já levou mais de 11 mil alunos da rede pública para museus, galerias e outros equipamentos culturais de Mato Grosso.

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